sexta-feira, 31 de maio de 2013

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Amigo...



"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!"

Vinícius de Moraes

A Historia das Coisas

Um amigo me mostrou esse vídeo. Não tive como não guardá-lo aqui.




The Lovers


quarta-feira, 29 de maio de 2013

O Planeta Terra é você

Obsolescência programada

Porque do assunto? Me vi essa semana com um fato inusitado. Minha geladeira Electolux DF44 começou a apresentar problemas na refrigeração. Como ela tem uns 8 anos, fui verificar e achei a borracha da porta muito dura. Sai para comprar uma borracha para trocar e me deparo com a seguinte situação. Fui informado pela autorizada que, primeiro, seria muito difícil encontrar peças para ela e que mesmo assim, a borracha da porta não seria vendida em separado e que a própria autorizada não mexia mais nela. Resumindo, para consertar o problema, teria que conseguir comprar uma porta inteira dela. Estupefato, sai da autorizada. Tentei recorrer a um profissional da área e descobri que nenhum deles queria entrar nessa "fria". Ninguém se dispôs a consertar ela.

A alguns anos atrás me deparei com meu laptop DELL com problemas de vídeo. Tentei mandar consertar e foi desde então que descobri que não valeria a pena, pois como me dito por um técnico, quando um componente interno começa a dar problema, não vale a pena consertar, porque inevitavelmente outros componentes começarão a parar também, já que eles são feitos para durarem a mesma média de tempo.

Daí, passeando pela internet, cai num site com a seguinte frase: Obsolescência programada. Parei para ler e descobri que isso não é faz-de-conta. Que é um conceito a muito explorado. Abaixo vai o texto que li com o vídeo de um documentário produzido pela TV Espanhola.


Obsolescência programada: o consumo exacerbado e o esgotamento de fontes naturais

Conceito aplicado pela indústria de lâmpadas desde os anos 20 do século passado, a “obsolescência programada” é tema relevante para a reflexão sobre consumo e tecnologia. A cineasta alemã Cosima Dannoritzer e o artista brasileiro Lucas Bambozzi, entre outros, discutem o assunto em suas obras.

Desde a Revolução Industrial, a relação entre consumo, indivíduo e sociedade tem sido uma das principais discussões dentro das Ciências Humanas, que buscam, desde então, entender e explicar como o novo modo de produção transforma e afeta a sociedade moderna. Com a produção em massa, surgia também a necessidade da indústria de conhecer melhor o perfil dos seus consumidores e, principalmente, de criar novas maneiras para incentivá-los a comprar cada vez mais. Foi na década de 1920 que a indústria de lâmpadas decidiu então aplicar o conceito de “obsolescência programada” na linha de produção, o que reduz a vida útil dos produtos para que o consumidor tenha de trocá-lo com mais frequência.

A ideia de diminuir o tempo de uso de produtos apareceu pela primeira vez em 1925, quando o cartel Phoebus, formado pelos principais fabricantes de lâmpadas da Europa e dos Estados Unidos, decidiu reduzir o tempo de duração de suas lâmpadas de 2.500 para 1.000 horas, a fim de aumentar o lucro das indústrias filiadas. No entanto, o conceito de “obsolescência programada” só viria a ser criado mais tarde pelo norte-americano Bernard London, um investidor imobiliário, que sugeria a obrigatoriedade de uma vida útil mais reduzida para os produtos, como forma de impulsionar a economia, que passava pela crise de 1929.

Considerada um tanto radical para a época, a ideia de London não foi colocada em prática no início da década de 1930, mas sim durante a década de 1950 pelo designer industrial Brooks Stevens, que já era famoso por seus desenhos modernos no desenvolvimento de produtos. Stevens defendia veementemente a obsolescência programada e argumentava que esta dependia do consumidor: todos os consumidores desejam novos produtos no mercado e são livres para decidir comprá-los ou não, independentemente da duração dos mesmos. Com a redução da vida útil dos produtos e o desenvolvimento da propaganda, o desejo de possuir o novo era cada vez mais incitado no consumidor, que deixava de comprar por necessidade para consumir por hábito.

Além da relação do consumidor com o produto, o professor da Universidade de Weimar, Markus Krajewski Krajewski, afirma que outro marco da obsolescência programada consiste na qualidade dos produtos, que antes eram fabricados para serem reutilizados e consertados e, desde a propagação do conceito na indústria, são produzidos para que sejam substituídos o mais rápido possível. “Se uma mesa não quebra sozinha, dentro de um certo tempo de uso, o próprio fabricante estipula seu prazo de validade”, explica Krajewski. Segundo o professor, é provável que rachaduras sejam inseridas na madeira do pé da mesa de forma imperceptível para o consumidor, que enxerga as mesmas como um desgaste natural do próprio objeto e não um defeito proposital para reduzir a vida útil do produto.

Cultura de consumo e produção de lixo eletrônico

A redução da vida útil dos produtos chamou a atenção da cineasta alemã Cosima Dannoritzer, que decidiu investigar os rumores comumente disseminados pelos mais velhos de que “antigamente as coisas duravam mais”. Para surpresa de Dannoritzer, “a verdade era ainda mais estranha do que os próprios rumores”. Em seu documentário The Light Bulb Conspiracy (2010 – A Obsolescência Programada), a cineasta percorre vários países para tentar compreender a influência deste conceito na nossa sociedade. Ela mostra como este modo de produção e de consumo mudou a relação do indivíduo com o produto, gerou inúmeras consequências ambientais e também propiciou a ascensão de resistências dentro da sociedade contra o consumismo ilimitado.

No documentário, Dannoritzer reflete sobre as relações de poder sócio-econômico dentro deste sistema de consumo e suas consequências ambientais. Uma delas é o crescente número de resíduos eletrônicos – computadores, celulares, chips etc – que, muitas vezes, são transportados e despejados em países em desenvolvimento, embora haja um tratado que proíba este tipo de prática. Em seu documentário, a cineasta registra tal descaso ao mostrar Agbogbloshie, no subúrbio de Accra, em Gana, que tornou-se um depósito de lixo eletrônico de países desenvolvidos como Dinamarca, Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido, que enviam seus resíduos sob o pretexto de ajuda ao país de “Terceiro Mundo”, alegando que estes eletrônicos ainda podem ser reutilizados. No entanto, Dannoritzer aponta em seu filme que mais de 80% desses resíduos são, de fato, lixo. E não podem mais ser reciclados ou sequer reaproveitados.

A produção de resíduos eletrônicos está diretamente relacionada ao poder econômico: os países que possuem maior renda, consomem mais e, consequentemente, produzem mais lixo eletrônico. Em uma rodada de discussões dentro da Rio +20 sobre a produção desses resíduos sólidos (Lixo eletrônico: impactos e transformações - Roda de Conversa Rio+20), a especialista do Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Andréa Caresteada, reforçou esta relação ao falar sobre o crescimento da classe média no Brasil que, segundo ela, já alcançou o número de 100 milhões de pessoas. A especialista relata que, com o aumento de poder de compra, cresceu também o consumo de eletroeletrônicos que correspondem a eletrodomésticos, computadores e celulares, por exemplo. Caresteada admite, no site do evento, haver uma disparidade entre o poder de aquisição e educação ambiental, pois ainda falta consciência quanto à produção de resíduos eletrônicos e ao hábito de consumo.

De acordo com Krajewski, uma das grandes diferenças entre países industrializados, como a Alemanha e os Estados Unidos, e os emergentes, como a China e o Brasil, é o fato de a maior tradição da obsolescência programada nos primeiros possibilitar a instituição de um movimento de resistência, tanto na esfera política quanto na cultural. Na arquitetura e em determinados setores da manufatura, na Alemanha, o professor observa, por exemplo, que ainda há preferência pela durabilidade em vez do desgaste rápido de materiais através do “Manufactum-Prinzip” (princípio de manufatura), termo criado por uma cadeia de lojas de mesmo nome, cujo slogan é “Es gibt die noch, die guten Dinge” (Elas ainda existem, as coisas boas).


Porém, o documentário de Dannoritzer indica que ainda há falta de responsabilidade social de países industrializados em relação a resíduos eletrônicos. Nas cenas que retratam o lixão de Agbogbloshie, o ativista ambiental Mike Anane mostra o local onde os restos de computadores, impressoras e outros eletrônicos são despejados. Ele cresceu na região e conta que, onde agora há somente lixo, antes passava o rio Odaw. No local havia uma comunidade de pescadores, onde ele próprio passou parte de sua infância. O documentário de Dannoritzer mostra que hoje, no lugar das crianças e dos pescadores, jovens de famílias pobres queimam os objetos despejados para retirar o plástico e guardar o metal, para que este seja vendido e possivelmente reutilizado.

Tecnologia, arte e resistência

A professora do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia, Karla Brunet, afirma que há grande descaso com as consequências sociais e ambientais causadas pelo consumismo desenfreado. Ela lembra que o conceito de obsolescência programada, criado no início do século XX, continua o mesmo, mas é hoje utilizado sob outra ideia de tempo: “Nossa vida está mais acelerada, então a própria vida útil de um produto está menor, pois tudo está mais rápido, queremos tudo mais rápido. Um produto que no passado tinha vida útil de quatro anos, certamente dura menos hoje em dia”, explica Brunet.

Como o novo torna-se ultrapassado em pouco tempo, há sempre maior necessidade de comprar para que possamos ter a sensação de pertencer a determinado grupo social e também de estar em dia com a tecnologia. Brunet considera a publicidade uma das principais ferramentas para incitar o desejo de consumo na sociedade atual, por ela ser realizada de forma mais sutil que no passado. Muitos usuários do Facebook, por exemplo, “curtem” páginas de marcas, sob a impressão de que estão afirmando algo de si mesmos, quando na verdade estão fazendo propaganda para a própria marca. A publicidade e a constante produção de novos modelos de tecnologia instigam o desejo de consumir, porque elas geram a sensação no consumidor de que ele “precisa” de determinado objeto e, se comprá-lo, terá uma sensação de satisfação e pertencimento a um determinado grupo social.

É o que acontece com celulares. As empresas lançam modelos incessantemente e, em um ano, o aparelho já é considerado ultrapassado. O artista Lucas Bambozzi aborda o tema em sua obra, criticando diretamente o consumismo regrado pela obsolescência programada. Em vários trabalhos, como Da Obsolescência Programada (2009), Mobile Crash (2010) e Das Coisas Quebradas (2012), Bambozzi utiliza a tecnologia de sensores para captar ondas eletromagnéticas de celulares, que ativam o funcionamento de diferentes máquinas. Segundo o artista, sua obra tenta discutir “a instabilidade das mídias, as oscilações de linguagem percebidas nos meios de produção técnica de imagem, o caráter anacrônico dos meios audiovisuais em tempos de portabilidade, o consumismo e o fetiche ligado aos sistemas tecnológicos”.

Em Das Coisas Quebradas (2012), Bambozzi reflete sobre tecnologias de consumo, lembrando que o consumidor também faz parte desse sistema. Na “instalação-máquina”, um sensor capta as ondas eletromagnéticas de celulares do público, para ativar uma máquina que despeja celulares (um de cada vez) em de um compartimento, onde são esmagados. Sendo assim, quanto mais as pessoas no ambiente utilizam o celular, maior é o funcionamento da máquina e mais celulares são destruídos – numa crítica direta ao papel do próprio consumidor na cultura do uso e rápido descarte, regido pela obsolescência programada.


Neste contexto, a arte passa a exercer uma função de resistência ao consumismo desenfreado, pois a partir do momento em que o observador se depara com tal crítica, ele começa automaticamente a refletir sobre seu próprio hábito de consumo e a adquirir consciência de que também faz parte do mecanismo deste sistema. Dannoritzer acredita que precisamos nos afastar deste consumismo para evitar o esgotamento de fontes naturais e reduzir a produção de lixo. Para ela, já há várias pessoas que “estão se afastando disso com atitudes diárias, pois percebem que o consumo não é a única fonte de felicidade”. Já Krajewski é mais pessimista, ao apontar que “as empresas lucram demais com este sistema para mudá-lo, mesmo aquelas pseudo-verdes, que existem sob a camuflagem do ecologicamente correto”. Ainda assim, ele defende que os próprios consumidores têm o poder de evitar determinados produtos e, assim, agir com consciência dentro da atual sociedade de consumo: “Juntos somos muitos”, lembra o professor.

Júlia Braga
é jornalista e tradutora freelancer. Vive entre Brasília e Berlim.
Copyright: Goethe-Institut Brasilien
Dezembro de 2012

The Hierophant


terça-feira, 28 de maio de 2013

Vivemos em uma ditadura ou em uma democracia?



Vivemos em uma ditadura ou em uma democracia?

Entrevistamos em Paris o ensaísta francês Hervé Kempf, que lançou recentemente um livro que é uma declaração de guerra contra aqueles que usam a democracia para enriquecer: “Chega de oligarquia, viva a democracia” (Editora Éditions du Seuil). Com a nova obra, ele fecha a trilogia iniciada com dois livros famosos e já traduzidos em português: “Como os ricos destroem o Planeta” (Editora Globo) e “Para salvar o planeta, sair do capitalismo” (Editora Saberes).

Eduardo Febbro

Paris – Vivemos em uma ditadura ou em uma democracia? A pergunta tem, para o ensaísta francês Hervé Kempf, uma resposta sem concessões: as sociedades ocidentais vão a caminho da ditadura. Os modelos que regem hoje as sociedades democráticas do ocidente são democracias de papelão pintado que só obedecem a um amo: o sistema financeiro. Seu poder absoluto por sobre todas as coisas não só cria desigualdades abismais entre os indivíduos, mas também, e sobretudo, levou o planeta à crise ecológica que põe hoje em perigo a permanência da espécie humana. 

Essa é a tese central do último livro com o qual Hervé Kempf fecha a trilogia que iniciou com dois livros famosos: “Como os ricos destroem o Planeta” e “Para salvar o planeta, sair do capitalismo”. O livro que fecha este ciclo é, a partir do título, uma declaração de guerra contra aqueles que usam a democracia para enriquecer: “Chega de oligarquia, viva a democracia”. 

O panorama que Hervé Kempf descreve é uma radiografia exata do mundo contemporâneo: os grandes meios de comunicação estão controlados pelo capital, os lobbies secretos decidem sobre o destino de milhões de pessoas independente da vontade popular expressada nas urnas, a cultura das finanças e sua impunidade radical dita as políticas contra o bem comum. Resumo, uma casta de poderosos decompõe a democracia ao mesmo tempo que destrói o planeta. 

Kempf argumenta que, para viver em paz e assumir os desafios do século XXI, é preciso restaurar a democracia. Isso impõe uma necessidade: desmascarar a oligarquia para apresentá-la tal como é: um regime que visa manter os privilégios de uma casta em detrimento das urgências sociais e ecológicas. O livro de Hervé Kempf reatualiza uma ideia potente e inovadora, cujas primeiras formulações remontam aos anos 70: é impossível pensar a democracia e o futuro da humanidade sem incluir a ecologia como fator de regulação da própria democracia.

Carta Maior – Você demonstra com inumeráveis exemplos como o mundo vai deslizando até uma espécie de regime autoritário, cujo único propósito é manter os privilégios de uma casta, a oligarquia. Isso o leva uma conclusão social e politicamente dramática: o possível fim da democracia. 

Hervé Kempf – A oligarquia é a definição de um regime político. A oligarquia é um conceito inventado pelos gregos nos Séculos IV e V antes de Cristo. Os gregos definiram as formas segundo as quais as sociedades humanas podiam ser governadas: a ditadura, o despotismo, a monarquia, a tirania, a democracia, que é o poder do povo para o povo e pelo povo, e depois definiram outra forma de governo que é precisamente a oligarquia. A oligarquia é o poder em mãos de poucos. O que eu digo então é que, pelo menos na Europa, estamos deslizando para a oligarquia. O sistema político atual faz que um grupo de poucos imponha seus critérios ao resto da sociedade. 

CM – Você sugere que estamos em uma fase de pós-democracia na qual, com o objetivo de manter-se no poder, a oligarquia mantém a ficção democrática?

HK – Certamente. A oligarquia repete sem descanso que estamos em democracia e que tudo é perfeito. É uma ficção. Até os intelectuais se esqueceram do conceito de oligarquia e contribuem para alimentar a ficção. Todos os intelectuais em sintonia ideológica com o capitalismo mantiveram a ideia segundo a qual só existiam duas alternativas: ou a democracia, ou o totalitarismo. Isso se podia entender no principio com dois exemplos: nos anos 30 com Hitler, ou nos anos 50 ou 60 com a União Soviética, se podia dizer que era preciso optar entre a democracia e essas duas ditaduras. Mas isso acabou: após a queda do muro de Berlin em 1989 e a quebra da União soviética, passamos a outra ordem. Mas os intelectuais que estão a serviço do capitalismo persistiram na ideia segundo a qual só existem dois caminhos: ou a ditadura, ou a democracia. Por isso é importante que o conceito de oligarquia esteja bem presente para entender que, progressivamente, a democracia nos foi roubada. Os países europeus, e muito mais os Estados Unidos, estão deslizando para um regime oligárquico onde o povo já não tem mais poder. A democracia europeia está doente, se debilitou muito, e vai cada vez mais rumo à oligarquia. Por outro lado, os Estados Unidos deixaram de ser uma democracia: é uma oligarquia porque é o dinheiro que determina as orientações das decisões políticas. Na realidade, a oligarquia é uma democracia que só funciona para os oligarcas. Uma vez que se puseram de acordo, eles impõe as decisões. Nossos sistemas não podem mais ser chamados de democracia porque a potência financeira detém um poder desmedido. A autoridade pública está em mãos do sistema financeiro. Os poderes públicos nunca tomarão uma decisão que prejudique os interesses econômicos, os interesses da oligarquia financeira. Devemos aceitar a ideia de que aqueles que têm as rédeas do poder político do Estado não tomam decisões em benefício do interesse geral. Suas decisões podem ir contra o interesse público. 

CM – Este raciocínio implica em que a soberania popular desapareceu como ideia e como prática?

HK – Efetivamente. Já não existe mais soberania popular. Quando o povo chega a refletir, a discutir e a deliberar em conjunto e tomar uma decisão, a oligarquia vai contradizer a decisão popular. Em 2005 houve, na Europa, um grande debate em torno de um referendo que afinal foi organizado na França e depois na Irlanda e Holanda sobre um projeto para um tratado de Constituição europeia. Durante seis meses, a sociedade francesa discutiu sobre esse tema como não o fazia há muitos anos. Os meios de comunicação, que expandem a filosofia capitalista, diziam “Tem que votar pelo sim, tem que votar a favor do tratado”. Mas o povo francês votou “não”. E que aconteceu depois? Dois anos mais tarde, os governos da Europa impuseram esse tratado com algumas modificações leves com o nome de Tratado de Lisboa. Houve então uma extraordinária traição da vontade popular. Este exemplo é encontrado em outros lugares. Sem ir mais longe, em 1991, na Argélia, os muçulmanos ganharam as eleições legislativas, mas os militares interromperam o processo com um golpe de Estado que terminou em uma guerra civil assustadora. Outro exemplo: em 2005, os palestinos votaram para eleger seus deputados. Ganhou o Hamas. Entretanto, todos os Estados, dos Estados Unidos à Europa, passando por Israel, optaram por marginalizar o Hamas porque o consideram uma organização terrorista. Não se respeitou o voto do povo palestino. O povo como tal é o coração da democracia, ou seja, o principio a partir do qual todos compartilhamos algo. O povo não é você, Michel ou eu, mas todos juntos. Compartilhamos algo e devemos tomar uma decisão conjunta. Formamos um corpo, por isso se fala no “corpo eleitoral”. Mas o que aconteceu na Europa em 2005 marca uma ruptura profunda com o povo. 

CM – Mas, entre a ideia de oligarquia que existia a princípios do século XX e agora, também houve um corte radical nesse grupo?

HK – Sim. Houve uma evolução da oligarquia. Agora podemos falar dos desvios da oligarquia impulsionada pela própria evolução do capitalismo. Nos últimos 30 anos o capitalismo se transformou. Todo começa em 1980, quando Ronald Reagan ganha as eleições presidenciais nos Estados Unidos e Margaret Thatcher chega ao poder na Grã Bretanha. A partir daí não só se montou um capitalismo orientado para a especulação financeira, mas também se produziu uma transformação cultural, antropológica. A filosofia capitalista se expandiu com esta mensagem: “a sociedade humana não existe”. Para os capitalistas, a sociedade é uma coleção de indivíduos que se encontram em uma bola e sua única missão consiste em tirar um máximo de proveito. Para os capitalistas, o individuo está separado dos outros, está em permanente competição com os demais. Nessa visão, o comum não é mais o povo, mas o mercado. Por esta razão as pessoas têm tantas dificuldades para sentirem-se um cidadão que participa em um processo comum a todos. O sistema ocultou um dado: o fenômeno fundamental que se produziu dentro do capitalismo nos últimos 30 anos foi o aumento das desigualdades, em todos os países, incluindo os países emergentes. 

Estamos em uma fase de cruzamento de crises. Já não é uma, mas múltiplas e todas se concentram ao mesmo tempo. A resposta das oligarquias é proporcional a intensidade das crises: o autoritarismo e a repressão. 

Estamos em um momento muito delicado da humanidade. A crise ecológica se agrava cada vez mais e as crises sociais se acrescentam – Europa, Estados Unidos, países árabes, China, Índia. E, diante do incremento dos protestos populares, a oligarquia tende a ir em uma direção cada vez mais autoritária, repressiva, militar. Acontece na França, na Itália, na Inglaterra, nos Estados Unidos, no Canadá. Em cada um desses países vimos o desenvolvimento impressionante das tecnologias policiais - câmaras de vigilância, arquivos de dados, etc. Enfrentamos um perigo duplo: não só que a democracia se dirija à oligarquia, mas, também, que a oligarquia, o capitalismo, entre em uma fase autoritária insistindo em temas como a xenofobia, a insegurança ou a rivalidade entre as nações. A oligarquia não quer adotar medidas para paliar a crise ecológica ou diminuir as desigualdades. Não. O que a oligarquia quer é conservar seus privilégios fundamentais. É uma oligarquia destruidora. Acho que ela mesma não entende a gravidade da situação. Em vez de evoluir, a oligarquia é cada vez mais reacionária. 

CM – Hoje há um elemento novo que será, sem dúvida, determinante: a crise ecológica, a crise climática. Entretanto, poucos são os que estão dispostos a assumir os desafios. 

HK – Estamos em um momento essencial da história humana, por duas razões. Em primeiro lugar, atravessamos um momento de nossa história no qual a humanidade chega ao limite da biosfera. A espécie humana se expandiu e desenvolveu através do planeta apoiada em uma natureza que nos parecia imensa e inesgotável. Mas agora, o conjunto da espécie humana descobre que o planeta tem limites e que é preciso encontrar um novo equilíbrio entre a atividade e a criatividade humanas e os recursos disponíveis. Devemos mudar de cultura e passar da ideia segundo a qual a natureza é inesgotável à realidade de que estamos pondo em perigo esses recursos. Resta-nos aprender a economizá-los e utilizá-los com sabedoria e prudência. Nisto se joga uma mudança de cultura. O segundo em importância está em que nos encontramos no momento em que formamos uma sociedade humana. Antes éramos como estrangeiros uns com os outros. Já não. Inclusive se no Rio de Janeiro se vive de forma diferente que em Paris, Londres ou Xangai, existem muitos elementos em comum que nos levam a tomar consciência de que pertencemos ao mesmo mundo. À globalização não só compete a globalização da cultura ou da economia, não, também envolve a população humana. Descobrimos que temos interesses comuns. A problemática das oligarquias ou da democracia se joga também na América Latina, na Ásia e na Europa. Somos uma mesma sociedade. Isso é um elemento novo na história da humanidade. Mas essa nova sociedade deve reescrever, inventar uma nova forma de viver com a biosfera e os recursos naturais. Se não chegarmos a fazê-lo, essa sociedade humana irá para o caos, a competição e a violência. Não só haverá desordem, mas se deterá a aventura humana. 

CM – Para você, não pode haver uma renovação da democracia, mas se toma em conta a questão ecológica... 

HK – A ecologia e a democracia são inseparáveis. Se olharmos para os anos 70, quando o movimento ecologista tomou seu impulso, o fez com uma crítica à democracia. A democracia sempre esteve no coração da ecologia. Mas em seguida o capitalismo derivou para a oligarquia e já não estamos em uma situação democrática. O capitalismo e a oligarquia forçam sempre para o crescimento econômico. Mas hoje sabemos que esse crescimento econômico acarreta danos importantes ao meio ambiente. Não sabemos ter crescimento econômico sem destruir o meio ambiente, sem emitir gases com efeito estufa, sem destruir as florestas como na Amazônia, ou sem produzir enormes quantidades de soja como na Argentina, para o qual se utilizam toneladas de agrotóxicos. O crescimento permite que se esqueça da enorme desigualdade que existe. O crescimento permite acalmar as tensões sociais. O desenvolvimento da oligarquia, ou seja, o delírio de uma pequena quantidade de pessoas por enriquecer de maneira colossal, força o crescimento e, ao mesmo tempo, a destruição da natureza. Por isso a questão democrática é essencial. Temos que chegar a uma situação onde possamos discutir e conseguir diminuir a desigualdade e assim poder redefinir, juntos, uma economia justa que não destrua o meio ambiente. 

CM – Resumindo, toda reformulação da ideia e do princípio de democracia passa pela ecologia. 

HK – Efetivamente: é impossível pensar o mundo se nos esquecemos da questão ecológica. Este tema não é exclusivo dos europeus ou dos ocidentais, não, é uma questão mundial. O tema da mudança climática, o tema do esgotamento da biodiversidade ou da poluição são temas mundiais. É impossível pensar na emancipação humana, na dignidade humana, na justiça social, na evolução a uma humanidade realizada, na qual cada pessoa poderá expressar suas potencialidades em relação aos outros, no concreto. Nada disto pode ser pensado deixando de lado a natureza e a relação com a biosfera. A situação atual é grave por causa da crise ecológica, mas também cheia de esperanças. Temos dez ou 20 anos pela frente para organizar a transição e permitir aos jovens do futuro imaginar uma sociedade harmoniosa. Se dentro de 10 anos não controlarmos a poluição, se dentro de 10 anos não conseguimos impedir a evolução ditatorial do capitalismo, vamos direito a situações muito difíceis. Nossa missão histórica para os próximos 10 ou 15 anos consiste em garantir as condições da possibilidade de sonhar. Nossos filhos devem poder imaginar e realizar uma sociedade harmoniosa. Devemos fazer com que essa condição do sonho se torne possível. 

CM – Por onde começar então? Com um golpe contra a oligarquia? Com uma revolução? 

HK – Nossa tarefa consiste em reconquistar a democracia. Em quanto à revolução, se trata de uma palavra perigosa. Prefiro empregar o termo de metamorfose, um pouco como acontece com as larvas que se tornam mariposa ou os adolescentes que se tornam adulto. A humanidade deve passar por um estado de metamorfose, de transição. Evidente, a resistência é grande. Tal como vimos com a crise financeira de 2007, 2008 e 2009, a oligarquia não mudará sozinha. Mas devemos avançar, de forma pacífica. Se queremos reestabelecer uma relação pacífica entre os seres humanos e a biosfera, devemos ter um enfoque pacífico. A inteligência e as técnicas repressivas se desenvolveram muito, por isso temos que evitar cair na armadilha da violência, para que não tirem proveito disso. A violência é uma armadilha. É preciso que sejamos capazes de recorrer aos meios da não violência porque eles querem que haja violência. Fará falta muita coragem, a mesma que tiveram os manifestantes egípcios que, sem violência, ocuparam a Praça Tahrir. A revolta popular se impôs a uma ditadura muito violenta. Evidente, tem que incomodar a oligarquia. A fórmula Argentina “que se vayam todos” é válida para a oligarquia.

The Emperor


segunda-feira, 27 de maio de 2013

domingo, 26 de maio de 2013

sábado, 25 de maio de 2013

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Bom FDS...

Dança muito mal. Mas para que dançar bem com um corpão desses em tão tenra idade?

The Fool


Licionista...

Cara, essa menina é muito fofa. Como fala direitinho e dicas valiosas. Tive que guardar aqui.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Coisas da vida II...

É. Acabei de receber o diagnóstico confirmado de Esclerodermia. Doença, como já descrevi, autoimune e que causa bastante transtornos a quem tem a infelicidade de tê-la.

Mas a boa notícia é que não é sistêmica. Não tenho nenhum órgão interno afetado. Mas, estou completamente arrasado fisicamente. Dores em todo o corpo que me acompanham dia e noite a meses.

Já entrei em tratamento, mas não sei bem porque, fui avisado pelo médico qual o procedimento dele em caso de internação. Disse que pode me acompanhar através dos médicos do hospital, mas que caso eu queira que ele vá lá, só fora do plano, isto é, particular. Será que foi um aviso de possível internação?

A muitos anos tenho dentro de mim a tal da Síndrome de Raynaud, a qual nunca é diagnosticada sozinha, pois sempre faz parte de alguma doença reumatológica. Seria a ponta do iceberg. Passou controlável por quase 20 anos, época em que passei pelo menos uns 7 anos como vegetariano, tinha parado de fumar e fazia exercícios físicos regularmente. Mas de uns 7 anos para cá, voltei a comer carne vermelha e de 3, passei a fumar novamente. Porque? Não sei. Coisas da vida.

Então sempre fui muito curioso sobre o que seria essa tal de Síndrome de Raynaud e como poderia me ver livre dela e do que a acompanhasse. A alguns anos atrás, me deparei com a tal da AutoHemoterapia divulgada pelo Dr. Moura, carioca da Tijuca. Mas deixei de lado, pois não havia motivo para mexer com uma coisa que estava estagnada a anos. 

Ontem, conversando com um amigo sobre o diagnóstico, ele me veio novamente com esse termo. Na hora não percebi muito o que era, pois não me lembrava mais. Mas pesquisando na internet, me deparei novamente com a cara desse simpático doutor. Esse senhor, por essa prática, já foi processado pelo conselho duas vezes, sendo nas duas absolvido. Mas a ANVISA teima em proibir a prática desde 2007. Por que será? Para garantir saúde de boa qualidade para nosso povo, ou para acobertar interesses escusos com a indústria farmacêutica? Ela, certamente, não quer que se divulgue tratamentos baratos e simples, podendo vender remédios extremamente caros para esses casos.

Abaixo vou colocar o vídeo de divulgação desse tratamento explicado pelo próprio Dr. Moura. Agora me digam o que tenho a perder em colocar em prática esse método em mim? Sempre acreditei, e isso é fato, que a indústria farmacêutica é bastante FDP. O que não consigo acreditar é como um médico dito conceituado, pelo menos não tem esse tipo de tratamento na manga em casos como o meu. Que não queria dar a doenças leves, até respeito. Doenças em que o paciente pode sair rapidamente através de drogas da industria farmacêutica. Mas doenças como a minha, de altíssima periculosidade, acho, pelo menos, burrice, não abrir um leque de soluções. Nesse momento, estou tomando um tal de Azatioprina 50mg em conjunto com Predisona 10mg. Remédios, que já pesquisei, são normalmente receitados para meu caso, que mesmo sendo de uma doença grave, não está em fase tão grave. Mas para que deixar caminhar para lá?



Abaixo também transcrevo um artigo do Prof. Douglas Carrara sobre o assunto. Artigo bem esclarecedor, diga-se de passagem.

A Prática da Auto-Hemoterapia no Brasil
A auto-hemoterapia é uma técnica terapêutica com certeza bastante antiga. Trata-se, segundo o Dr. Luiz Moura, de um recurso terapêutico de baixo custo, simples, que se resume em retirar um determinada quantidade sangue de uma veia e aplicar no músculo, estimulando assim o sistema retículo-endotelial, quadruplicando os macrófagos em todo o organismo. 
Entretanto a auto-hemoterapia foi proibida pela ANVISA em abril de 2007, apenas porque ficou em evidência a partir de um vídeo contendo uma entrevista com o Dr. Luiz Moura, praticando e defendendo a auto-hemoterapia, veiculada através da Internet a partir de 2004. Com a matéria do Fantástico da rede Globo, também de abril de 2007, mostrando o interesse da população na utilização da "novidade", na verdade, uma prática que existe há mais de 100 anos, as autoridades da área médica se mobilizaram para proibir uma prática que poderia gerar muitos prejuizos para as grandes empresas e laboratórios que não se interessam por práticas terapêuticas passíveis de se tornarem populares e de baixo custo operacional. O próprio médico Dr. Luiz Moura foi julgado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro em função da entrevista difundindo a técnica e por receitar a auto-hemoterapia e posteriormente absolvido por unanimidade de votos, em 11 de janeiro de 2006 por não constatar ilícito ético-profissional em sua conduta. Por outro lado, a partir da portaria da ANVISA, nem mesmo o Dr. Luiz Moura poderá mais receitar ou praticar a auto-hemoterapia que tantos benefícios trouxe aos seus pacientes.
Apenas para termos uma idéia do alcance da técnica, vamos relacionar algumas doenças que, segundo o testemunho idôneo do Dr. Luiz Moura obtiveram bons resultados: esclerodermia, asma brônquica, psoríase, doença de Crohn, lúpus, artrite reumatóide, miastenia grave, miomas e cistos de ovário, púrpura trombocitopênica, acne, ictiose, amigdalites, gota, dermatomiosite, etc. Doenças tratadas complementarmente com a auto-hemoterapia, com resultados surpreendentes, e que vem convencendo as pessoas que assistem ao vídeo pela fidedignidade do relato e a sinceridade manifestada durante a entrevista.
Por outro lado a mais alta e única missão do médico é restabelecer a saúde dos doentes, que é o que se chama curar. Quando um paciente, em estado de atroz sofrimento, procura ajuda médica, seu objetivo é obter a cura para seus males. Desde que sare, não lhe interessa saber como nem porque sarou. Apenas o médico necessitar pesquisar, com a ajuda do paciente, a melhor maneira de ajudá-lo. Portanto, basta que o médico obtenha a confiança legítima do paciente para que o processo de cura se inicie. Se a sociedade o reconhece como médico, e, no caso, foi cumprida a principal exigência, a realização do curso superior de medicina, acrescido de mais de 50 anos de clínica. Quanto à escolha do método de tratamento de cada paciente, somente o médico pode decidir ao examinar cada paciente. Em casos extremos, para salvar um paciente em estado grave, todos os recursos são possíveis, ainda que não totalmente conhecidos pela ciência. Hipócrates dizia que para as doenças extremas os tratamentos extremos são os mais eficazes.
Com a proibição, os maiores prejudicados foram os pacientes, especialmente, aqueles que padecem com graves enfermidades e que não podem mais contar com o apoio do sistema de saúde, já que todos os profissionais estão agora impossibilitados de aplicar a técnica, correndo o risco de perder o direito de exercer a medicina ou as técnicas de enfermagem.
Na história da medicina, ambas as correntes, homeopática ou alopática utilizaram a auto-hemoterapia no tratamento de seres humanos e também de animais. Os médicos homeopatas extraindo o sangue venoso e processando o sangue extraido do próprio paciente como qualquer substância, diluindo e dinamizando para posterior uso interno.
Pelo menos, desde finais do século XIX, a corrente alopática vem estudando e aplicando a denominada proteinoterapia, que procura combater as mais diversas enfermidades por meio de injeções de certos tipos de albuminas, leite, sangue e outras substâncias albuminóides, denominada então, terapêutica estimulante não específica, baseada sobre a noção de que o essencial do processo de proteção do organismo na luta contra a enfermidade é uma modificação do metabolismo, uma ativação do protoplasma da célula.
Entretanto o embasamento teórico da auto-hemoterapia tem origem em Broussais (1772-1838), segundo o primitivo conceito de irritação e o da teoria da excitação de Virchow (1821-1902), talvez um dos maiores patologistas de todos os tempos. Quando ficou solidamente fundamentada a ação patogênica das bactérias, a partir das pesquisas de Pasteur (1822-1895), a figura mais importante e representativa da bacteriologia, começou-se a aprofundar os estudos a respeito das substâncias tóxicas produzidas pelos microrganismos em geral. Bem depressa se reconheceu que as proteínas de que são formadas as bactérias, podem provocar fenômenos análogos aos desencadeadas pelas toxinas. A verificação desse fato foi o ponto de partida para os primeiros ensaios realizados com o fim de provocar uma reação geral do organismo, mediante a introdução parenteral de substâncias não bacterianas.
Os primeiros estudos clínicos desta natureza foram seguramente os de Winternitz (1859-?) em Praga e von Krehl (1861-1937) em Jena, no ano de 1895. Uma das primeiras proteínas utilizadas foi o leite de vaca, já esterilizado pelo processo pasteuriano. Graças às necessárias medidas de precaução e de técnica, a injeção parenteral de leite era asséptica. Como consequência de tal procedimento em animais, na dose de 20 ml., a temperatura do corpo se eleva de 0,9 a 1,6o. Nas reinjeções, a reação febril era maior. Observou-se também que nos animais tuberculosos o aumento de temperatura era maior do que no são. Além disso, era possível observar nitidamente uma reação local do tecido tuberculoso. Dos ensaios promovidos por von Krehl em animais bovinos, surgiu mais tarde a excitoterapia ou proteinoterapia. Esta consiste em produzir uma ação inespecífica com injeção de albumina, dando como resultado uma reação aguda de todo organismo. Segundo August Bier (1861-1949) a injeção de leite, sangue ou outras proteínas, desde que perfeitamente esterilizado, por via intramuscular, produz uma irritação local, que definia como inflamação curativa. A reação geral consiste em febre, com seus fenômenos concomitantes, e numa leucocitose às vezes considerável, traduzindo uma reação da medula óssea. Opera-se assim um aumento das forças defensivas do organismo.
Os melhores êxitos obtidos com a terapêutica da excitação registraram-se no reumatismo articular crônico. Bem como nas infecções inespecíficas de curso tórpido e nas dermatoses. É de grande importância a dose e o momento da injeção. Vale mencionar também o seu emprego nas afecções oculares de natureza infecciosa, especialmente na oftalmoblenorréia (conjuntivite de natureza blenorrágica) dos recém-nascidos. Foram registrados também notáveis resultados de tais injeções com fins profiláticos (para evitar as infecções em casos de traumatismos por corpos estranhos).
Esta terapia está indicada quando as defesas orgânicas são insuficientes. Os diversos estimulantes que se injetam no corpo do paciente funcionam segundo a regra biológica fundamental de Arndt-Schulz de 1898: os estímulos débeis despertam a vitalidade do organismo, os médios a fomentam, os fortes a inibem e os demasiado fortes a eliminam. Assim os estímulos excessivamente fortes fazem com que a célula morra, os estímulos moderados incitam a célula a recuperar o equilíbrio alterado e com isso obter o funcionamento normal. O próprio professor August Bier reconheceu em texto publicado em 1925, que a terapia irritativa de Arndt-Schulz se aproxima da homeopatia fundada por Samuel Hahnemann (1755-1843), colocando no mesmo nível, pela primeira vez na história da medicina, a doutrina alopática da homeopatia.
Nesse mecanismo desempenha um importante papel a receptividade do indivíduo como também o tipo de enfermidade que o aflige, já que um indivíduo são reage diferente do indivíduo doente. Assim a incorporação parenteral de albuminas estranhas provoca uma reação parecida com a que produzem as infecções agudas: as células aumentam sua atividade, e da mesma maneira os tecidos locais afetados, aumento dos glóbulos vermelhos e brancos e de todas as funções biológicas, do metabolismo e da diurese, enfim o organismo sofre uma alteração, suas defesas e a formação dos anticorpos se ativam.
Como o principal efeito da autohemoterapia é o estimulo do sistema retículo-endotelial esclarecemos que suas principais funções são a limpeza de partículas estranhas ao organismo provenientes do sangue ou dos tecidos (inclusive células neoplásicas), toxinas e outras substâncias tóxicas. Além disso promove a biotransformação e excreção do colesterol, o metabolismo de proteínas e a remoção de proteínas desnaturadas. Assim respondendo por tantas e tão importantes funções, fácil é de se entender o papel desempenhado pelo sistema retículo-endotelial no determinismo favorável ou desfavorável de processos mórbidos tão variados como sejam os infecciosos, neoplásicos, degenerativos e auto-imunes.
No Brasil, a auto-hemoterapia também foi introduzida no início do século XX, porque diferentemente dos tempos atuais, os médicos da época avaliavam as experiências realizadas em outros países. O próprio Prof. Miguel Couto (1864-1934), patrono da medicina brasileira, sabia dos efeitos positivos da injeção de sangue autógeno. Cita inclusive as experiências promovidas por Kitasato e Hehring, publicada em 1890, relativas à imunidade do tétano. Com o sangue extraido da carótida de um coelho realizou-se as seguintes experiências: dois coelhos receberam na cavidade abdominal uma injeção de 2 e de 3 cc. deste sangue. Vinte e quatro horas depois, estes dois animais e dois outros testemunhas foram inoculados com uma cultura do bacilo do tétano (de Nicolaier). Os animais testemunhas morreram tetanizados, enquanto que os dois vacinados com seu próprio sangue continuaram sadios. Experiências análogas feitas com o soro sangüíneo do coelho surtiram o mesmo efeito obtido com o próprio sangue. Na época concluiu-se, a partir de inúmeras experiências do mesmo gênero, que o soro sangüíneo dos animais em condições de imunidade contra uma dada molestia infecciosa, tem propriedades profiláticas e terapêuticas em relação a essa moléstia, sobretudo se os animais forem da mesma espécie.
Sabemos também que o Dr. Jesse Teixeira promoveu experiências no Hospital de Pronto Socorro com 150 pacientes, seguindo sugestão de seu chefe Dr. Sylvio d'Ávila, a partir de um artigo publicado nos EUA em 1936 por Michael Mettenietter, cirurgião de Nova York. A auto-hemoterapia foi aplicada como profilaxia das complicações pulmonares pós-operatórias, que segundo o autor, eram as únicas existentes na época e consideradas da mais alta valia, podendo ser vantajosamente empregada, quer na cirurgia de urgência, quer nos casos em que o doente pode ser preparado.
O próprio pai do Dr. Luiz Moura, Dr. Pedro Moura já aplicava a vacina de sangue, em 1943, quando ainda era estudante de medicina, e seu pai, chefe da enfermaria da Santa Casa. O próprio Dr. Luiz Moura aplicava na véspera da internação no paciente 10 ml. de sangue e cinco dias depois repetia a mesma aplicação. Ele obtinha na época uma das taxas menores de infecção hospitalar.
Entretanto com a descoberta dos antibióticos na década de 40, o uso da auto-hemoterapia foi descontinuado, quando o mais normal seria acrescentar e não substituir. Além do mais os laboratórios que produziam os antibióticos obtinham lucros fabulosos com a venda dos medicamentos e com a auto-hemoterapia não lucravam absolutamente nada ...
Pelo que sabemos apenas no Brasil a auto-hemoterapia está proibida. Pelo menos no México, Rússia, Estados Unidos ou Alemanha sabemos que utiliza, ao lado de outros recursos terapêuticos, a vacina do sangue ou como se diz em Portugal, o auto-sangue. Quando Beckenbauer pendurou as chuteiras, alegou que atribuía seu desempenho físico à auto-hemoterapia. Antes de cada jogo ele fazia uma aplicação de 10 ml. e atribuía a isso tanto a saúde que tinha quanto a resistência física nos jogos. No Brasil, o médico da seleção brasileira, José Luiz Runco trata lesões, em casos de fraturas de difícil calcificação, há vários anos, com injeções de concentrado de plaquetas extraídas do sangue do paciente, na área da fratura. Na opinião do médico essa técnica não provoca efeito colateral ou causa qualquer tipo de rejeição, já que o sangue é do próprio paciente.
Diante da popularidade que a terapia adquiriu a partir da entrevista do Dr. Luiz Moura, a atitude correta e ética das autoridades médicas, da ANVISA ou dos Conselhos de Medicina, seria solicitar que a universidade brasileira promovesse experiências duplo-cego, com avaliação clínica dos voluntários e, em pouco tempo, teríamos a comprovação científica necessária para apoiar ou negar autenticidade à sua introdução nos sistemas de saúde. Entretanto as autoridades da área médica não podem desconhecer as experiências anteriores, inclusive realizadas em países com maior tradição na área de pesquisa da saúde do que o Brasil. O que nos leva a concluir que se trata na verdade apenas de má fé ou de submissão colonizada a interesses extremamente excusos.
Infelizmente a proibição somente gerou sofrimento e riscos para quem necessita de tal tratamento, já que sabemos que inúmeros pacientes, padecendo de doenças crônicas, vinham sendo submetidas a esse tratamento e agora serão obrigadas a contratar pessoas não qualificadas para extrair o sangue e aplicar a injeção no músculo. Porque dificilmente alguém deixará de procurar a auto-hemoterapia em função da proibição, principalmente porque o paciente, ao contrário do que se imagina, possui inteligência suficiente para perceber se um novo tratamento traz ou não benefícios para si mesmo. Especialmente no caso de doenças crônicas, quando o paciente convive anos com determinados sintomas e começa a perceber que alguns deles somente amenizaram a partir do início de um determinado tratamento. Com a proibição, ocorre algo semelhante que ocorre com a proibição das drogas alucinógenas. A proibição apenas estimula o consumo clandestino e ilegal, favorecendo o traficante que pode vender as drogas com preços extorsivos bem acima do seu custo ...
Além disso o que mais tem revoltado os adeptos da auto-hemoterapia é a questão da prevenção do câncer. Ainda que não seja possível provar, é possível estimular o sistema imunológico a destruir as células pré-cancerosas no nascedouro. Com a ativação do sistema imunológico pela auto-hemoterapia podemos impedir a formação de um tecido canceroso, isto é, formado com células anormais. Novamente teríamos contribuido para aliviar o sofrimento de milhares de pacientes e com isso diminuir a produção de equipamentos radiológicos e quimioterápicos utilizados no tratamento do câncer ...
Os próprios adeptos da auto-hemoterapia estão se organizando com objetivo de defender e finalmente obter o cancelamento da proibição e introduzir definitivamente a prática da auto-hemoterapia no Sistema Único de Saúde. Olivares Rocha, convencido dos benefícios obtidos com o tratamento praticado em membros de sua própria família, decidiu distribuir gratuitamente uma cópia do DVD com a entrevista do Dr. Luiz Moura e uma apostila completa com 145 páginas sobre todos os dados disponíveis no momento sobre a auto-hemoterapia.
Lamentavelmente as novas gerações de médicos não conseguem nos deixar otimistas com relação ao futuro. O episódio ocorrido em São Paulo, quando formandos de medicina invadiram um pronto-socorro, gritando e soltando rojões em comemoração pelo término do curso, faz-nos refletir se podemos continuar nos comportando como pacientes passivos diante da insanidade e a hipocrisia que vem acometendo médicos, que, na formatura se comprometem com os princípios do juramento de Hipócrates de abster-se de causar dano ou dor aos pacientes e seguem sua carreira como serviçais dos grandes laboratórios, que, para verificar a venda dos produtos e quem prescreveu, negocia cópias das receitas médicas com as farmácias. Além disso financia as viagens de médicos que participam de congressos e com isso os médicos receitam o remédio do laboratório que lhes dá mais vantagens. Portanto, nós dentro em breve, teremos que deixar de ser pacientes diante desta realidade e nos organizarmos ativamente diante do comportamento anti-ético de médicos e de laboratórios. Basta analisar o raciocínio simplório de um financista da indústria farmacêutica, numa entrevista ao jornal Herald Tribune em 1º de março de 2003: "O primeiro desastre é se você mata pessoas. O segundo desastre é se as cura. As boas drogas de verdade são aquelas que você pode usar por longo e longo tempo."
E, para concluir, há que reclamar do descumprimento da missão primordial da ANVISA que objetiva "proteger e promover a saúde da população garantindo a segurança sanitária de produtos e serviços e participando da construção de seu acesso." Além disso tal proibição impede as pessoas de realizarem a livre escolha dos serviços de saúde, infringindo o direito do consumidor (Lei 8078/90). Enfim convidamos os cidadãos brasileiros violentados em seu direito à saúde garantido pela Constituição Federal de 1988 a assinarem o abaixo-assinado dirigido ao Presidente da República e ao Ministro da Saúde em Abaixo Assinado 
Prof. Douglas Carrara
Antropólogo
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Bibliografia Consultada:
ALMEIDA, Eduardo & Luís Peazê:
2007 - O Elo Perdido da Medicina - Ed. Imago - Rio de Janeiro 
BIER, August:
1941 - Qual Deve Ser a nossa Atitude a respeito da Homeopatia - in Voz Homeopática - Rio de Janeiro 
COUTO, Miguel:
1935 - Lições de Clínica Médica - Flores e Mano - Rio de Janeiro 
MOURA, Luiz:
2004 - Entrevista com o Dr. Luiz Moura - Ana Martinez e Luiz Fernando Sarmento 
ROCHA, Olivares:
2008 - Auto-Hemoterapia - Contribuição para a Saúde - Rio de Janeiro 
STAUFER, Karl:
1971 - Homeoterapia - Hochstetter/Propulsora - Santiago - Chile 
TEIXEIRA, Jesse:
1940 -Autohemotransfusão - Complicações Pulmonares Pós-Operatório in Brasil-Cirúrgico - Vol. II, No. 3, MAR/1940, pp. 213/230 
VERONESE, Ricardo:
1976 - Imunoterapia, o Impacto Médico do Século in Revista Medicina de Hoje - março/1976.
Douglas Carrara
Enviado por Douglas Carrara em 18/03/2010
Reeditado em 19/04/2010
Código do texto: T2145143


quinta-feira, 16 de maio de 2013

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Dança Da Shiva



Dança Da Shiva
Gilberto Gil

Dança de Shiva
Repare a dança de Shiva
Enquanto a reta se curva
Cai chuva da nuvem de pó
Fraude do Thomas
Repare a fraude do Thomas
Os deuses todos em coma
Enquanto Exu não dá o nó

Nó se dá um só
Se dói de dó
Se mói na mó
Pulverizar
Se foi na avó
No neto irá

Não, não irá
Quiçá morrerão
Deuses em coma
Homens em vão
Pela ciência
Pela canção
Deuses do sim
Deuses do não

Quem me vir dançar
Verá que quem dança é Shiva
Quem dança, quem dança é Shiva
Quem me vir já não me verá
Verá no Thomas
Por trás da fraude do Thomas
Alguns verazes sintomas
De um passageiro mal-estar

Guerra Santa de Feliciano....

Coloquei esse título mais por acaso do que querer ressuscitar a polêmica desse maluco. Como disse em post anterior, vejo muito pouco TV, mas completando a relação que me faz ficar em frente a uma, tenho também os canais religiosos. Pode parecer maluquice, mas quando encontro algum pastor gritando na TV, espero e fico a observar o que ele fala, como fala e para quem fala, porque me doutrinei a procurar em tudo palavras do sagrado. Mas confesso que acho difícil entender a ganância desses bispos.  E a igreja Católica, como está preocupada com a debandada de seus fiéis para as igrejas evangélicas, continua dando força para os Carismáticos no intuito de frear isso. E o que os carismáticos fazem? Apelam para um discurso muito parecido com o dos evangélicos. 

Só um adendo: O Massacre da Noite de São Bartolomeu foi um massacre impetrado pelos católicos reis franceses sobre os protestantes. Estimasse que tenham morrido de 2000 a 70000 protestantes, conforme a fonte. Mas o fato é que esse massacre varreu a França em 1572.



Guerra Santa
Gilberto Gil

Ele diz que tem, que tem como abrir o portão do céu
ele promete a salvação
ele chuta a imagem da santa, fica louco-pinel
mas não rasga dinheiro, não

Ele diz que faz, que faz tudo isso em nome de Deus
como um Papa na inquisição
nem se lembra do horror da noite de São Bartolomeu
não, não lembra de nada não

Não lembra de nada, é louco
mas não rasga dinheiro
promete a mansão no paraíso
contanto, que você pague primeiro
que você primeiro pague dinheiro
dê sua doação, e entre no céu
levado pelo bom ladrão

Ele pensa que faz do amor sua profissão de fé
só que faz da fé profissão
aliás em matéria de vender paz, amor e axé
ele não está sozinho não

Eu até compreendo os salvadores profissionais
sua feira de ilusões
só que o bom barraqueiro que quer vender seu peixe em paz
deixa o outro vender limões

Um vende limões, o outro
vende o peixe que quer
o nome de Deus pode ser Oxalá
Jeová, Tupã, Jesus, Maomé
Maomé, Jesus, Tupã, Jeová
Oxalá e tantos mais
sons diferentes, sim, para sonhos iguais

Para quem gosta dele e não conhece, esse CD é muito bom mesmo....

DISCO 1

1 Quanta
(Gilberto Gil)
2 Ciência e arte
(Carlos Cachaça, Cartola)
3 Estrela
(Gilberto Gil)
4 Dança de Shiva
(Gilberto Gil)
5 Vendedor de caranguejo
(Gordurinha)
6 Água benta
(Gilberto Gil)
7 Chiquinho Azevedo
(Gilberto Gil)
8 Pílula de alho
(Gilberto Gil)
9 Opachoró
(Gilberto Gil)
10 Graça divina
(Gilberto Gil)
11 Pela internet
(Gilberto Gil)
12 Guerra Santa
(Gilberto Gil)
13 Objeto sim, objeto não
(Gilberto Gil)

DISCO 2
14 A ciência em si
(Arnaldo Antunes, Gilberto Gil)
15 Átimo de pó
(Carlos Rennó, Gilberto Gil)
16 Labirinto
(Nelson Jacobina, Jorge Mautner)
17 Fogo líquido
(Gilberto Gil)
18 Pop wu wei
(Gilberto Gil)
19 O lugar do nosso amor
(Gilberto Gil)
20 De ouro e marfim
(Gilberto Gil)
21 Sala do som
(Gilberto Gil)
22 Um abraço no João
(Gilberto Gil)
23 O mar e o lago
(Gilberto Gil)
24 La lune de Gorée
(Capinan, Gilberto Gil)
25 Nova
(Gilberto Gil, Moreno Veloso)
26 Objeto ainda menos identificado
(Lucas Santana, Moreno Veloso)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Welcome Home...


Acho que vale a pena uma visita a esse site.


Welcome Home
Radical Face

Sleep don't visit, so I choke on sun
And the days blur into one
And the backs of my eyes hum with things I've never done

Sheets are swaying from an old clothesline
Like a row of captured ghosts over old dead grass
Was never much but we made the most
Welcome home

Ships are launching from my chest
Some have names but most do not
If you find one, please let me know what piece I've lost

Heal the scars from off my back
I don't need them anymore
You can throw them out or keep them in your mason jars
I've come home

All my nightmares escaped my head
Bar the door, please don't let them in
You were never supposed to leave
Now my head's splitting at the seams
And I don't know if I can

Here, beneath my lungs, I feel your thumbs press into my skin again

Essa também é Phoda!!!




Young And Beautiful
Lana Del Rey

I’ve seen the world, done it all
Had my cake now
Diamonds, brilliant
And Bel Air now

Hot summer nights, mid July
When you and I were forever wild
The crazy days, the city lights
The way you’d play with me like a child

Will you still love me
When I’m no longer young and beautiful?
Will you still love me
When I’ve got nothing but my aching soul?
I know you will, I know you will
I know that you will
Will you still love me when I’m no longer beautiful?

I’ve seen the world
Lit it up as my stage now
Changeling angels in a new age now

Hot summer days, rock'n roll
The way you play for me at your show
And all the ways I got to know
Your pretty face and electric soul

Will you still love me
When I’m no longer young and beautiful?
Will you still love me
When I’ve got nothing but my aching soul?
I know you will, I know you will
I know that you will
Will you still love me when I’m no longer beautiful?

Dear Lord, when I get to heaven
Please let me bring my man
When he comes, tell me that you’ll let him
Father, tell me if you can
All that grace, all that body
All that face makes me wanna party
He’s my sun, he makes me shine
Like diamonds

And will you still love me
When I’m no longer young and beautiful?
Will you still love me
When I’ve got nothing but my aching soul?

I know you will, I know you will
I know that you will
Will you still love me
When I’m no longer beautiful?
Will you still love me
When I’m no longer beautiful?
Will you still love me
When I’m not young and beautiful?

Mais umazinha...



O Mio Babbino Caro
Giacomo Puccini

O mio babbino caro,
mi piace è bello, bello;
vo'andare in Porta Rossa
a comperar l'anello!
Sì, sì, ci voglio andare!
e se l'amassi indarno,
andrei sul Ponte Vecchio,
ma per buttarmi in Arno!
Mi struggo e mi tormento!
O Dio, vorrei morir!
Babbo, pietà, pietà!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sissel valorizando o que é nosso...

Sissel

A anos atrás, muitos anos, fui a uma peça de teatro onde o palco era na ponta de uma área do cais do porto, e no meio da peça nos demos conta do porque disso. Enquanto de desenrolava a peça, lentamente as cortinas de trás foram se abrindo e a paisagem passou a fazer parte do cenário, por que ao longe, vimos o ator principal na popa de um barco se aproximando lentamente por de trás cenário. Ele não desembarcou, mas deu um efeito maneiro. Ao final da peça, perguntei ao cara do som que música era aquela que rolava na peça na hora do barco passando e o cara me disse que era uma tal de Sissel, uma cantora européia e que dificilmente eu conseguiria algum disco dela aqui pelo Brasil. Com a dificuldade passada pelo cara, encasquetei que iria conseguir o som dela de qualquer forma. Pesquisei, pesquisei e não achei nada. Daí mandei um e-mail para minha irmã e ela me disse quem era a mulher. Que era uma espécie de Enya norueguesa. Tanto fiz que consegui baixar todos os CD dela pela internet.

Abaixo, uma mostra do som dela....



Weightless 
Sissel

All of my life
I have been waiting
Wondering what I will do

All I can feel
Is my heart beating
Time and time again for you

And I´m weightless, falling in love
I am weightless
And I don´t know why but I know
It´s all right

All I can hear
Is my own breathing
Echo in my loneliness

If I could sleep
I would be dreaming
Of the sweetness of your kiss

And I´m weightless, falling in love
I am weightless
And I don´t know why but I know
It´s all right
And I´m weightless, falling in love
I am weightless

And I´m so high, I´m with my angel tonight
And I´m weightless, falling in love
I am weightless
And I don´t know why but I know

It´s so right
And I´m weightless, falling in love
I am weightless
And I´m so high, I´m with my angel tonight

Oblivion




Oblivion
Susanne Sundfør

Since I was young, I knew I’d find you
But our love was a song sung by a dying swan
And even now you hear me calling,
You hear me calling
And in your dreams you see us falling, falling

Breathe in the …

I’ll stay here in the shadow
Waiting for a sign, as the grows
Higher, and higher, and higher
and when the nights alarm
All those stars recall your goodbye, your goodbye

And even now you hear me calling,
You hear me calling
And in your dreams you see us falling, falling
And even now you hear me calling,
You hear me calling
And in your dreams you see us falling, falling

Dreaming about love
Dreaming all the love and say goodbye

domingo, 12 de maio de 2013

Ratatouille

Sempre que passa na TV e eu por acaso estou assistindo-a, e dá-lhe por acaso nisso, pois não sou muito chegado a TV, só noticiários, entrevistas, documentário ou coisas do gênero, revejo esse filme que acho lindo. Me emociono todas as vezes que Anton Ego coloca o garfo na boca e prova o tal do Ratatouille e vai lá trás quando comia esse prato, dito no filme como um prato de camponês, quando sua mãe o servia.

E nunca me esqueço da famosa palavra que pronuncia no final do filme: SURPREENDA-ME

Esse filme foi lançado em 2007, ano em que eu e minha irmã fazíamos das tripas coração para fazer um Centro de Alta Gastronomia dar certo em pleno Rio de Janeiro. Minha irmã é uma cozinheira de mão cheia e com uma mente muito criativa nessa área, aliás, como em todas as áreas em que a arte se faça presente, mas o mercado do Rio de Janeiro não estava, e se pouco me engano continua a não estar, pronto para esse tipo de comércio.

Nessa época me dediquei a ler sobre gastronomia e achei fascinante como os livros ligados a essa área podem lhe dar uma cultura singular sobre história, geografia e aspectos culturais do planeta. Daí também comecei a ver com outros olhos a indústria da moda, que é outra que descreve a história através desse viés.

É um filme que recomendo. Eu, pelo menos, sempre me emociono com ele.

Resumindo um pouco o filme, diria que a frase que mais combina com ele é: Nem todos podem se tornar grandes artistas. Mas um grande artista pode vir de qualquer lugar.

Quem disse que o mundo está acabando?

Isso para sabermos que os Russos não comem criancinha. Pelo menos não mais... hahahahahah!!!

I'll face it with a grin...

The Show Must Go On

Empty spaces - what are we living for
Abandoned places
I guess we know the score
On and on, does anybody know what we are looking for...
Another hero, another mindless crime
Behind the curtain, in the pantomime
Hold the line, does anybody want to take it anymore
The show must go on
The show must go on, yeah
Inside my heart is breaking
My make - up may be flaking
But my smile still stays on

Whatever happens, I'll leave it all to chance
Another heartache, another failed romance
On and on, does anybody know what we are living for ?
I guess I'm learning (I'm learning learning, learning)
I must be warmer now
I'll soon be turning (turning, turning turning)
Round the corner now
Outside the dawn is breaking
But inside in the dark I'm aching to be free
The show must go on
The show must go on, yeah, yeah
Ooh, inside my heart is breaking
My make - up may be flaking
But my smile still stays on

Yeah yeah, whoa wo oh oh

My soul is painted like the wings of butterflies
Fairytales of yesterday will grow but never die
I can fly - my friends
The show must go on (go on, go on, go on) yeah yeah
The show must go on (go on, go on, go on)
I'll face it with a grin
I'm never giving in
On - with the show

The show must go on (yeah)
the shom must go on

Ooh, I'll top the bill, I'll overkill
I have to find the will to carry on
On with the show
On with the show
The show - the show must go on
Go on, go on, go on, go on, go on
Go on, go on, go on, go on, go on
Go on, go on, go on, go on, go on
Go on, go on, go on, go on, go on
Go on, go on

sábado, 11 de maio de 2013

Para os que só vêem miséria na Índia

Por incrível que pareça, ler para muitos já é difícil, por isso resolvi colocar esse vídeo. Aí tive outro espanto... Assistir um episódio desses também é dífícil, mas essa mesma pessoa que não consegue ver um vídeo desse, passa horas vendo um "Two and a Half Men". Vai entender...

Yes, we'll keep on trying..

Innuendo

One two three four

Ooh ooh

While the sun hangs in the sky and the desert has sand
While the waves crash in the sea and meet the land
While there's a wind and the stars and the rainbow
Till the mountains crumble into the plain

Oh yes, we'll keep on trying
Tread that fine line
Oh, we'll keep on trying
Yeah
Just passing our time

Ooh ooh

While we live according to race, colour or creed
While we rule by blind madness and pure greed
Our lives dictated by tradition, superstition, false religion
Through the eons and on and on

Oh, yes, we'll keep on trying, yeah
We'll tread that fine line
Oh oh we'll keep on trying
Till the end of time
Till the end of time

Through the sorrow all through our splendour
Don't take offence at my innuendo

Duh duh duh duh duh duh duh
Duh duh duh duh duh duh duh duh duh duh duh

You can be anything you want to be
Just turn yourself into anything you think that you could ever be
Be free with your tempo, be free, be free
Surrender your ego - be free, be free to yourself

Ooh ooh, yeah

If there's a God or any kind of justice under the sky
If there's a point, if there's a reason to live or die
Ha, if there's an answer to the questions we feel bound to ask
Show yourself - destroy our fears - release your mask
Oh yes, we'll keep on trying
Hey, tread that fine line
(yeah) yeah
We'll keep on smiling, yeah
(yeah) (yeah) (yeah)
And whatever will be - will be
We'll just keep on trying
We'll just keep on trying
Till the end of time
Till the end of time
Till the end of time

Será que seria devido para os dias das Mães?


Bohemian Rhapsody

Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide
No escape from reality

Open your eyes
Look up to the skies and see
I'm just a poor boy
I need no sympathy

Because I'm easy come, easy go
A little high, little low
Anyway the wind blows
Doesn't really matter to me, to me

Mama, just killed a man
Put a gun against his head
Pulled my trigger, now he's dead
Mama, life had just begun
But now I've gone and thrown it all away

Mama, oh
Didn't mean to make you cry
If I'm not back again this time tomorrow
Carry on, carry on
As if nothing really matters

Too late, my time has come
Sends shivers down my spine
Body's aching all the time

Goodbye everybody, I've got to go
Gotta leave you all behind
And face the truth

Mama, oh
I don't want to die
I sometimes wish I'd never been born at all

I see a little silhouette of a man
Scaramouch, Scaramouch
Will you do the fandango?
Thunderbolt and lightning, very, very frightening me

Galileo, Galileo
Galileo, Galileo
Galileo, Figaro, magnifico

But I'm just a poor boy and nobody loves me
He's just a poor boy from a poor family
Spare him his life from this monstrosity

Easy come, easy go, will you let me go?
Bismillah!
No, we will not let you go
Let him go

Bismillah!
We will not let you go, let him go
Bismillah!
We will not let you go, let me go
Will not let you go, let me go, never
Never let you go, let me go

Never let me go, oh
No, no, no, no, no, no, no

Oh mama mia, mama mia
Mama mia, let me go
Beelzebub has a devil put aside for me
For me, for me

So you think you can stone me
And spit in my eye?
So you think you can love me
And leave me to die?

Oh baby, can't do this to me baby
Just gotta get out
Just gotta get right outta here

Nothing really matters
Anyone can see
Nothing really matters
Nothing really matters to me

Anyway the wind blows

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Em falar nele...Uma homenagem.... CHICO ANYSIO!!!

Sempre me achei um cara engraçado, e muitos a minha volta contribuíram para isso, mas mais por ser triste por dentro. Mas não uma tristeza de solidão e sim uma tristeza de compreensão. De uma crescente compreensão da natureza humana. Não sei se entendeu isso, mas também não vou tentar explicar.

Está aí uma homenagem a esse homem que me passava esse sentimento.






Bom FDS...


With A Little Help From My Friends


Sem letra.... só sinta.... fala sobre amizade e como isso pode lhe ajudar no caminhar da vida... :)

Unchain My Heart

Adoro a voz desse cara... E como não ando bem de saúde, a única coisa que me levanta é uma boa música...



Unchain my heart
Joe Cocker

'Cause you don't care
Well, please, set me free

Unchain my heart, baby let me go
Unchain my heart, 'cause you don't love me no more
Every time I call you on the phone
Some fella tells me that you're not at home
Unchain my heart, set me free

Unchain my heart, baby let me be
Unchain my heart, 'cause you don't care about me
You got me sewed up like a pillow case
But you let my love go to waist
Unchain my heart, set me free

I'm under your spell, like a man in a trance, baby
You know darn well that I don't stand a chance

Unchain my heart, let me go my way
Unchain my heart, you worry me night and day

I live a true life of misery
And you don't care a bag of beans for me
Unchain my heart, please, set me free

Oh, my

I'm under your spell, just like a man in a trance, baby
But you know darn well that I don't stand a chance
Please, unchain my heart, let me go my way
Unchain my heart, please, set me free
Oh, set me free

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Impressões II

Exatamente como penso....

Humor

Será que fiquei velho, ou isso que era humor? Sem precisar mandar ninguém tomar naquele lugar, não chamar ninguém de bambi, de falar numa frase de dez palavras seis palavrões e usar conectores por força da língua. Nunca fui muito de achar graça em piadas de auditório, mas que esse tipo de humor acabou, isso eu tenho certeza. Um dos últimos bastião foi o Chico Anysio. Aliás, diga-se de passagem, homem de grande cabeça nessa área e em outras também.